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quarta-feira, 22 de setembro de 2010

perpétuo e merecido amor próprio

Eu vou te dar um conselho: Não abrace hoje e não abrace amanhã. Não abrace nunca mais.
Lembre-se de todas as auroras em que os primeiros raios e tuas próprias mãos foram as únicas carícias sobre a tua pele. Lembre-se que foi o teu travesseiro que enxugou todas as tuas lágrimas e abafou teus gritos quando você teve sonhos ruins. Lembre-se das palavras que sempre quis ouvir, mas que nunca foram pronunciadas. Dos gestos que sentiu falta, mas que nunca sentiu. Do reconhecimento que sempre sonhou ter, mas que nunca terá. Então não abrace, mesmo que isso te torne frio e amargo. Porque mais amargas ainda foram as lágrimas que te arrancaram.



Hoje você vai abraçar a si mesmo num perpétuo e merecido amor próprio.

Fernando Franco


sábado, 18 de setembro de 2010

Eu Acredito

“Acredito no tempo, sei que ele vai me mostrar as coisas e a sua razão. Acredito na esperança, sem ela não poderia viver sem acreditar no amanhã;
Acredito no amor, meu coração salta, minha pulsação dispara e, meu sangue ferve, me dando a prova de que ele existe;
Acredito na felicidade, mas também acredito no crescimento, por isso me conforto nos momentos de insatisfação, sempre me consolando que cresço como ser humano;
Acredito no Caráter, na verdade e nas boas intenções, sem deixar passar despercebido o antônimo das mesmas, porque não sou mais uma menina inocente.
Acredito nas pessoas, porque desejo que elas acreditem em mim, se elas não forem dignas da minha boa fé, o prejuízo final não é meu;
Acredito em Deus, temo por mim e pelos meus, temo não fazer o que ele designou para mim, mas Amo-o sobre qualquer circunstância.
Acredito no sorriso, no choro, num simples olhar, num gesto simples e aparentemente verdadeiro. Ao mesmo tempo em que desacredito de tantas coisas, porque sei que me visto de inocente, mas sou mulher, com cara de menina, e desconheço o coração do outro. Sei que no final eu desejo a vitória, e é por ela que eu busco incessantemente todos os dias da minha vida.”



Ana Carolina
Gonçalves

quinta-feira, 16 de setembro de 2010

Numa Triste Madrugada

Eram 2:30 da manhã, e eu estava acordada, sem inspiração, sem motivo pra sorrir.
Todas as luzes apagadas, apenas uma acesa, mas eu não enxergava nada. Eu sentia frio, sentia calor, sentia tristeza, sentia loucuras. Me sentia confusa. Eu realmente estava sem rumo. O silêncio era predominante, o único som era o do lápis que se arrastava pelo papel criando palavras. Eu escrevia, escrevia para viver, escrevia para voar, escrevia para criar, escrevia para sair desse mundo que parecia não me querer por perto, escrevia para me encontrar.
O relógio fazia 'tic-toc', os minutos passavam e, por um acaso, nada mudava. A insensibiliadade, a tristeza e a frieza tomavam conta de mim e de tudo a minha volta. Mas ali fiquei, ali me encontrava, pelo menos ali a paz reinava, e pelo menos por um momento ninguém me criticava. Ali deitei e por minutos pensei. Ali fiquei, chorei, por curtos momentos ri, e depois de tempos, adormeci.
Adormeci acima de um caderno, um lindo caderno que em palavras autênticas me entendia, mesmo com toda sua inanimação, ainda me entendia, apenas ele.

sexta-feira, 10 de setembro de 2010

100 sóis

"Eu não acredito em nada, nem no fim e nem no início.
 Eu não acredito em nada, nem na terra e nem nas estrelas.
 Eu não acredito em nada, nem no dia e nem no escuro.
 Eu não acredito em nada além dos batimentos dos nossos corações.
 Eu não acredito em nada, 100 sóis até nós partirmos.
 Eu não acredito em nada, nem em Satanás, e nem em Deus.
 Eu não acredito em nada, nem na paz e nem na guerra
 Eu não acredito em nada além da verdade de quem somos"

30 Seconds To Mars

terça-feira, 7 de setembro de 2010

Não Somos Perfeitos

Não somos perfeitos porque nos falta paciência para aguentar as injustiças. Falta compaixão nos nossos olhos para entender a dor dos outros. Falta delicadeza as nossas mãos para ajudarmos perfeitamente os outros. Falta–nos senso do ridículo para sabermos o que podemos ou não falar. Falta-nos senso de responsabilidade para decidir o que devemos ou não fazer corretamente.
Não somos perfeitos porque nos falta força para aguentar mais do que podemos. Falta-nos força para nos manter calados quando estamos gritando por dentro. Falta-nos força para esconder quem somos quando não podemos ser verdadeiros. Falta-nos coragem para encarar nossos problemas sem medo do que pode acontecer. Falta-nos capacidade de esquecer o que passou, de deixar o passado no passado e encontrar o futuro. Falta-nos coisas entre muitas outras que não tenho nem capacidade de lembrar.
Não somos perfeitos porque não conhecemos e nem temos ideia do que é a tal da perfeição.  E até chegarmos perto dela, deduziremos o que é ou deve ser. Se não a conhecemos, não podemos cobrar.



domingo, 5 de setembro de 2010

Lembranças de uma Bela Tempestade


Baseado no texto "Um guarda-chuva, e um sorriso", por Fernando Franco e Neto Menezes


Eram exatamente 4:30 da tarde naquele triste e frio dia, quando eu resolvi descarregar minhas emoções. As ruas se apresentavam vazias e, dentro das casas, luzes apagadas. Talvez aquelas pessoas estivessem dormindo ou aproveitando suas vidas vazias.
Era possível sentir a garoa e o vento frio que sopravam os poucos rostos visíveis naquele triste dia. Também era possível observar o asfalto úmido e ouvir o barulho das rodas dos carros correndo em cima do asfalto molhado. Ao mesmo tempo era impossível ouvir ou sentir a tempestade chegando. Pelo menos não com a minha cabeça tão longe como estava.
Naquele dia, eu me sentia triste solitária, e resolvi compartilhar com a chuva os meus sentimentos.
Andei por muitos quilômetros e o silêncio das ruas ecoavam a verdade dos meus erros em minha cabeça.
Era lindo parar por uns instantes e observar as gotículas de água tocarem levemente o chão. Era como se eu colocasse para fora cada lágrima que eu prendi durante tanto tempo.
Naqueles instantes onde eu sorria sozinha admirando as belezas mais simples da natureza, senti meu bolso vibrar, era meu celular. Eu havia recebido uma linda mensagem de um grande amigo, onde dizia: "Não se culpe pelo que anda acontecendo, é passageiro. Sobre as saudades que sente, contente-se com as lembranças, pelo menos você as fez existir. E sobre a dor que você sente agora, ela te fortalecerá no futuro."
Não sei se era o meu sono eu apenas o ébrio que não me deixara captar tal mensagem de relance. Mas depois de tanto refletir, depois de longas horas naquele frio, senti a intenção de tal amigo. Senti vontade de me comunicar com ele, mas o seu telefone parecia estar desligado. Me senti só, mais uma vez. E então continuei com meu lindo devaneio.
Durante um bom tempo parada e observando a chuva que parecia sempre crescer, havia passado um um garoto que como tudo naquele ambiente, era triste e preto e branco. Nos seus olhos castanhos e vazios se apresentavam uma grande tristeza. Mas nos seus lábios levemente avermelhados, apresentava-se um lindo e singelo sorriso.
Embora eu estivesse numa tristeza profunda e não conseguisse reagir a muita coisa, consegui retribuir o belo sorriso que ganhara.
Ele andava em minha direção e sentou-se ao meu lado. Durante alguns minutos nos mantemos calados, mas logo a pergunta mais óbvia veio à tona:
  - O que fazes aqui? - perguntou ele delicadamente com um jeito amigável.
  - Admiro os pingos de chuva e desabafo com eles, eles parecem me entender mais que tudo. - Respondi.
  - Mas sobre o que desabafas?
  - O vazio das pessoas, a forma de me ignorar, a falta que eu sinto de algumas coisas, o vazio que se encontra dentro de mim, a solidão que me atormenta, as perdas que tive recentemente, o silêncio dos meus sentidos, entre outros.
  - Mas se reclamas do vazio e da solidão, o que fazes aqui tentando se isolar?
  - Eu ando procurando coisas e pessoas que me ajudem, mas elas não querem me ouvir, são coisas fúteis que me incentivam a fazer. -Respondi abaixando a cabeça,
O silêncio mais uma vez tomou conta daquele ambiente. Até que resolvi o quebrar.
  - De onde vens? - Perguntei. Mas ele não respondeu. Perguntei seu nome, mas eu não me lembro bem. Talvez fosse algo parecido com Pietro, Pedro, ou coisa assim. Sempre esqueço o nome das pessoas mais me marcam.
Durante horas conversamos sobre nossos problemas e depois de bastante tempo ele começou a responder as minhas curiosidades. Vi então que ele tinha problemas iguais e maiores que os meus, e que tinha vergonha disso. Aquilo me comoveu, e por mais tempo conversamos.
Já era noitinha quando lembramos da hora e do perigo das ruas. A chuva já havia parado, mas o chão ainda era lindamente úmido.
Ele andou comigo por mais bastante tempo e, pela momentânea amizade que criamos naquele triste dia, nos abraçamos, e fomos assim até o ponto de ônibus que parecia ser longe, embora o tempo tenha passado rápido.
Naquele caminho, ele me contara sobre o que gostava de fazer quando estava triste e o dia era chuvoso e frio. Ele gostava de dançar na chuva de olhos fechados e braços abertos e admirando a textura dos pingos de água que caiam do céu. Eu ri, ao mesmo tempo que achei belo.
Quando chegamos  ao ponto, nós conversávamos como amigos de séculos, quando havíamos nos conhecido poucas horas antes.
E enfim o meu ônibus finalmente parecia estar chegando, foi rápido, só tivemos a chance de dizer 'adeus'. Pelo menos tivemos a oportunidade, muitas pessoas se vão sem a chance de se despedir.
Ao entrar no ônibus, eu já sorria, aquele menino realmente havia me alegrado. Entrei no ônibus. Quando olhei para a janela, ele sorriu pra mim e acenou. Sorri para ele, e o ônibus começou a andar devagar. Olhei para a outra janela, parecia chover novamente. Olhei para trás e o vi dançando de braços abertos e olhos fechados na chuva. Gargalhei por alguns instantes sem pensar nos outros ao meu redor. Me olhavam de cara estranha, mas pouco me importei. Aquela pessoa havia mudado tudo pra mim.
Hoje já faz quase uma ano que isso aconteceu e é como se ele ainda existisse dentro de mim. Toda vez que parece chover, me sinto mais feliz. E quando estou vagando pelas ruas e chove, faço questão de dançar de olhos fechados e braços abertos, como aquela criaturinha havia me ensinado.
Sinto falta dele, mas toda vez que me lembro dele, consigo um motivo pra sorrir. é como se as flores pudessem rir para mim. É como se ele estivesse perto de mim.
Uma gota de chuva, e um sorriso.




sábado, 4 de setembro de 2010

Medíocre Culpa

É sempre mais fácil culpar o mais óbvio quando ele não tem nem o direito de fazer uma objeção, mas acontece, que se você não ouve a história contada por todos os ângulos, por todos os pontos de vista, e você age de cabeça quente, você sempre acusa o mais óbvio, na maioria das vezes injustamente.
E por eu ter a responsabilidade e a idade que eu tenho, é fácil eu ser vítima disso. É fácil culpar o mais velho, ou culpar o menos culpado por ele apenas estar certo. Mas ninguém passa pelas coisas que eu passo, por isso culpa, por isso julga.
Mas tudo que vai, volta. É apenas questão de tempo. E tempo é o que eu mais tenho ultimamente. Então eu esqueço, isso passa. Eu sou melhor que isso. Só acho que a minha preocupação para com os outros nunca é correspondida, por isso que eu me incomodo, mas fora isso, acho que nenhum dos último acontecidos, merecem a minha presença, então que eles fiquem com o meu corpo, pois a minha cabeça está ligada à coisas melhores.