Por Paulo Leminsky
A vida não me deu irmãs. Me criei apenas com um irmão mais moço. Meu pai era militar e minha mãe, filha de militar, uma mulher carinhosa e dedicada, mas muito contida de gestos e expressões.
Assim, cresci num ambiente onde a presença da mulher era muito discreta. Nossa casa tinha uma aparência sombria e austera, uma casa masculina com certeza. Sempre invejei meus amigos que tinham irmãs, aquelas pessoas tão diferentes que passam horas diante do espelho, mordem os lábios para eles ficarem vermelhos como maçãs maduras, da cor daquela maçã que Eva deu a Adão, dando começo a esta deliciosa história.
Me lembro que ficava imaginando: como será conversar com uma irmã? O que será que elas pensam da vida?
Com toda a minha ignorância, não é difícil vocês fazerem uma idéia de como foi complicado o começo da minha vida sentimental.
Simplesmente, eu não sabia como conversar com as pessoas do sexo oposto. Estampa até que eu tinha, e algumas garotas até me achavam, com meu topete, parecido com Elvis Presley. Mas, ao lado ou diante de uma garota, eu era uma lástima. Era como se pertencêssemos a duas espécies diferentes do mundo animal. Tente imaginar uma conversa entre uma borboleta e um colibri. Era algo assim.
Depois de trocar as banalidades de praxe, filmes, discos, ídolos, minha cabeça dava um nó. Silêncio total. E agora? A garota ali, esperando que eu fosse engraçado, fascinante, emocionante como um parque de diversões. Pensando nisso, hoje, me ocorre que talvez a garota ao meu lado também estivesse tendo problemas. Pode ser até que tivesse crescido sem irmãos e achasse um rapaz o mais esquisito dos seres. Na época, isso nem me passaria pela cabeça, eu fervilhava de emoções.
Mas, na hora em que elas iam sair, alguma coisa acontecia na passagem das emoções para as palavras, e era aquele curto-circuito, aquele coração batendo que nem louco, e eu dizendo coisas profundíssimas do tipo: "Aceita um chiclete?"
Só que eu nunca desisti. Por mais estranhas que me parecessem, alguma coisa em mim dizia que eu tinha nascido para viver com aqueles seres feitos de maravilha e mistério, que a felicidade para mim era uma palavra feminina. Tinha certeza de que, um belo dia, a maldição de não poder me comunicar com o sexo oposto ia acabar.
Foi quando comecei a escrever poesia. Eu enchia cadernos e mais cadernos de versos, frases, esboços de contos, onde, invariavelmente, um rapaz tímido tentava se comunicar com uma garota, ela também o amava, mas alguma coisa não deixava que os dois se integrassem.
Mostrava esses poemas a algumas irmãs de amigos meus. E eu tinha vontade de morrer quando, ao ler meu poema, a garota dizia apenas: "Lindo! Ah, se alguém fizesse um poema desses inspirado em mim..." Me dava aquele branco e eu não dizia a frase fundamental: "Foi inspirado em você"...
segunda-feira, 25 de outubro de 2010
domingo, 17 de outubro de 2010
Um simples conto, uma historia "de criança"
Começou simples, foi estranho, ele só olhava, ela só olhava. Ela não sabia explicar o que via, mas via sinceridade. Ela não estava bem mentalmente, ela tinha todos os problemas que ela tem, e ainda se sentia cansada de sofrer por amor. Ele tinha sua namoradinha, mas ele nunca gostou dela de verdade. O sofrimento dela havia a levado pro preto&branco e a solidão era sua melhor amiga, nada mudava isso e, aconteceu. Ele terminou com a tal namoradinha, não se sabe bem porquê, mas ele dizia que queria deixar a vida. Ela não deixou, embora não soubesse o sentimento exato, ela o sentia. Mesmo porque ela achava supérfluo, ele era jovem, muita coisa o aguardava. Ela não o deixou ele fazer o que ele queria, deixar de viver, e em troca, ele a tirou do mundo preto&branco e a levou pro seu mundo colorido. Ele era feliz, ele a fez feliz. É uma história simples, como todas as outras: um garoto e uma garota, duas “crianças” que se fazem felizes e dizem que se amam.
Durou pouco até a parte triste da história chegar. Ele disse ter voltado pra ex-namoradinha dele. A namoradinha o queria de volta, e ela mentiu pra consegui-lo de volta. Ele não explicou nada para a sua “atual” namoradinha, ela só viu. Tudo tinha “acabado”? Seria assim, uma história sem fim? Mais uma pra a coleção dela? Ela sofreu, chorou, gritou, não aceitou.
Foi um curto período até sentirem falta da continuação de tudo. Queriam continuar escrevendo aquela história. Foi um telefonema, foi uma palavra única dos dois lados: volta. Ele aceitou largar a namoradinha mentirosa. Ele voltou, ela voltou, eles voltaram. Ele faz questão todos os dias de dizer que a ama, ela faz questão todo dia de escutá-lo dizer isso. Ele a faz feliz, ela faz ele feliz. E como todo conto de uma historinha de “criança”, acabou tudo bem. Pelo menos anda tudo bem entre eles. Ele a ama, ela o ama. E todos os dias da vida dela, ela tem pesadelos, imaginando o que aconteceria se ela o perdesse.
sábado, 9 de outubro de 2010
Seja forte, nem que ao menos uma vez
Se ela se fez de vítima ou ela realmente é tão fraca assim, eu não sei. Ela chorou e me acusou. Me acusou de ter destruído a melhor coisa que acontecera na sua vida e que acabara de começar. Se ela fosse forte, saberia dividir amizade e amor. Se ela fosse forte, teria desligado o telefone antes dele. Se ela fosse forte, ela assumiria a culpa ao invés de me culpar. Se ela fosse forte, saberia que não existe fim para o que nem começou. Mas ela é fraca. Ela é sensível demais para me entender e, saber que palavras são só palavras no final. Fraca demais para ser inconsequente na hora que tem de ser. Fraca demais para me dar a força que eu preciso. Pelo contrário, ela me tira forças. Fraca demais para reconhecer o meu valor. Fraca demais para entender o meu amor.
sexta-feira, 1 de outubro de 2010
desilusão pós-sofrimento
E quem me diria que nos momentos de solidão ainda me faltaria inspiração? E quem me diria que mesmo sozinha, eu tinha a companhia de alguém? E quem me explicaria toda essa loucura de sorrir quando estou triste e chorar de felicidade? E quem seria a pessoa imaginária que ao mesmo tempo é real, que me abraça e me consola quando estou sozinha? E quem seria o culpado por tanto ódio no coração de todos? E quem criara o tal do amor em nossos olhos? E quem criara a maldita futilidade na vida de superfluidades de tanta gente? E quem me responderia essas entre todas as outras perguntas que me incomodam tanto?
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